Introdução – O desafio que revela quem você é
Já reparou que muitas vezes evitamos justamente aquilo que mais precisamos enfrentar?
No esporte e na carreira, esse comportamento é mais comum do que parece. Fugir da dor, do desconforto ou do desafio pode até parecer natural, mas é justamente isso que impede a evolução.
O cérebro humano foi moldado para buscar segurança e minimizar riscos. Mas, paradoxalmente, são os momentos de desconforto que abrem as maiores portas para o crescimento. No fim, o que mais determina quem você vai se tornar não é o que você faz sempre — e sim o que insiste em evitar.
Neste artigo, vamos mostrar como padrões esportivos aparentemente inofensivos revelam bloqueios que se repetem no ambiente profissional — e como transformá-los em combustível para o crescimento.
A subida na corrida: onde a maioria desiste e poucos conquistam
Na corrida, a subida exige mais fôlego, força e controle mental. É nela que muitos diminuem o ritmo ou até desistem. Mas é também nesse ponto que a vitória começa a ser construída.
Na carreira, a “subida” são aqueles projetos desafiadores que exigem posicionamento, coragem e exposição. Assumir um cliente difícil, liderar uma equipe em crise ou defender uma ideia impopular.
Exemplo real: Eliud Kipchoge, recordista mundial da maratona, diz que os trechos mais difíceis são onde ele “ganha” a prova — porque é ali que ele se destaca dos demais. No trabalho, abraçar a subida é o que coloca você em um patamar acima da média.
Zona de conforto disfarçada de consistência
Correr sempre o mesmo trajeto no mesmo ritmo dá a sensação de disciplina, mas muitas vezes é medo disfarçado: medo de errar, de se cansar demais, de não saber como será o próximo percurso.
No mundo corporativo, isso é repetir processos antigos ou evitar novas tecnologias porque “sempre funcionou assim”. A estabilidade aparente mata a inovação.
Exemplo real: Netflix poderia ter continuado com seu modelo de DVDs pelo correio, mas se arriscou no streaming antes da concorrência. Essa mudança exigiu abandonar um “trajeto” seguro — e transformou a empresa.
Perfeccionismo: quando alguns segundos te fazem parar
Parar uma corrida porque o pace atrasou alguns segundos é um sinal de perfeccionismo extremo. A obsessão pelo controle total sufoca a evolução.
Na empresa, isso se traduz na paralisia analítica: aquele gestor que espera ter todos os dados perfeitos antes de agir — e perde o timing.
Exemplo real: Michael Jordan perdeu mais de 9 mil arremessos na carreira e errou 26 arremessos decisivos. Ainda assim, ele é considerado o maior jogador de basquete de todos os tempos porque nunca deixou o medo do erro impedir que ele tentasse.
Fugindo do agachamento livre e das responsabilidades reais
Na academia, o agachamento livre é instável, exige mais músculos estabilizadores e revela falhas de técnica. É por isso que muitos o evitam, preferindo máquinas mais “seguras”.
Na carreira, isso é como evitar cargos de liderança ou negociações estratégicas. Você se movimenta, mas não se expõe — e, por consequência, não cresce.
Exemplo real: Indra Nooyi, ex-CEO da PepsiCo, assumiu funções de alto risco cedo na carreira. Ela conta que, mesmo insegura, dizia “sim” e aprendia no processo. Esse “agachamento livre” profissional a levou ao topo.
Mesma carga no treino, mesma performance na carreira
Treinar meses com a mesma carga mantém você ativo, mas não gera evolução. O corpo precisa de sobrecarga progressiva para crescer.
Na empresa, se você não assume tarefas mais complexas, não aprende novas habilidades e não busca feedbacks duros, sua performance fica estagnada.
Exemplo real: Serena Williams nunca treinava apenas para manter seu nível, mas sempre adicionava novos elementos ao seu jogo — mesmo no auge da carreira. É isso que mantém líderes relevantes por décadas.
O espelho na academia e a imagem na liderança
Olhar para o espelho apenas para admirar a estética, sem corrigir a execução, mostra uma preocupação maior com a aparência do que com a eficácia.
Na liderança, isso acontece quando alguém quer parecer eficiente e ocupado, mas não entrega impacto real. É o “personagem” de alta performance, mas com pouco legado.
Exemplo real: Steve Jobs era conhecido por desprezar apresentações cheias de dados só para impressionar. Ele queria o produto funcionando, mudando vidas. O foco era no impacto, não na vitrine.
Conclusão – A coragem de enfrentar o que te trava
O esporte é um espelho da vida profissional: ele mostra padrões, medos e desculpas que se repetem fora das quadras e pistas.
Quando você encara a subida, o peso extra ou o movimento difícil, desbloqueia um novo nível de performance. Isso exige coragem, e coragem não é ausência de medo — é agir apesar dele.
Lembre-se:
- A subida é onde você ganha a corrida.
- A sobrecarga é o que constrói força.
- O desconforto é o berço da evolução.
Não fuja do que você evita. É exatamente ali que está o seu próximo salto — no esporte, na carreira e na vida.
Leia mais sobre como o esporte transforma carreiras no livro Atleta Corporativo – Como o Esporte Molda Grandes Líderes.
Cesar Cotait Kara José é CEO para a América Latina na Exadel, uma empresa global de consultoria e desenvolvimento de software. Com mais de 30 anos de atuação, sua trajetória combina uma sólida experiência nos setores financeiro, agronegócio, incorporação imobiliária e tecnologia da informação.
Além de sua carreira executiva e empreendedora, é autor e coautor de livros sobre liderança e desenvolvimento profissional. Seu extenso trabalho intelectual inclui diversos artigos publicados sobre gestão, inovação e alta performance.
Apaixonado por esportes, ele se dedica a diversas modalidades que desafiam seus limites físicos e mentais. Para ele, o esporte é uma poderosa ferramenta de aprendizado, disciplina e superação, com impacto direto na vida.
Certificado em Coaching e Mentoring, possui MBA em Gestão de Negócios pela Universidade da Califórnia, MBA em Gestão de Vendas pela FGV, Extensão na Ohio University e é bacharel em Administração de Empresas pela PUC-SP e em Ciências Contábeis pela Universidade Paulista.




